Capítulo 12
Capítulo 12
— Ahh, então fui eu que te peguei.
Lee-yeon permaneceu em silêncio.
— Sussurrei palavras doces no seu ouvido e te levei para a cama, certo? Eu era um desavergonhado.
Ele sorriu, saboreando cada fragmento das “lembranças” do seu passado.
Lee-yeon sentiu-se perdendo o controle. Se não conseguisse pensar rápido, seria pega na própria teia. De repente, um desespero a atingiu com força. Ela queria correr dali, o mais longe possível. Kwon Chae-woo a havia obrigado a deitar na mesma cama que ele, convencido de que eram um casal. Se não desse um jeito de deter isso agora, temia que da próxima vez ele não apenas insistisse… mas agisse à força.
Um suor frio escorreu por suas costas.
Tenho que parar isso.
— Na verdade… você não era desavergonhado. Nós… não éramos compatíveis na cama.
O sorriso dele sumiu aos poucos.
— Não era bom?
— S-sexo?
— Sim.
— Quem? — perguntou ele.
— O quê? — Lee-yeon piscou, confusa.
— Quem não era bom nisso?
O olhar persistente de Kwon Chae-woo era como uma lâmina afiada, pressionando-a a responder. Foi um esforço tremendo manter os olhos nele sem desviar.
— Os dois? — Ele soltou uma risada seca antes que ela pudesse responder.
Então, franziu a testa e ficou sério novamente.
— Isso é ainda mais chocante do que perder a memória.
Os olhos de Kwon Chae-woo tinham algo estranho. Geralmente, quando não sabia o que estava fazendo, ele parecia inofensivo. Mas agora… Era como se soubesse alguma coisa. Ele passou a mão pelo rosto e soltou outra risada.
— Então, está dizendo que depois disso nunca mais fizemos sexo?
— Isso.
— Qual exatamente era o problema? Sua voz era suave, mas carregava uma determinação subjacente.
— Ah…
As perguntas ficaram pessoais demais. Ela sentia que logo ficaria sem respostas e que não conseguiria inventar mentiras do nada. Mas era uma adulta. Não deixaria que ele a intimidasse.
— Eu… acho que não éramos compatíveis. Não senti nada da primeira vez que fizemos.
— Na verdade, até hoje, eu ainda não sei o que é um orgasmo.
Kwon Chae-woo permaneceu em silêncio.
— Você também me disse uma vez que não tinha um desejo muito alto e que não gostava tanto de fazer isso — continuou ela, em um tom calmo.
— Na verdade, foi isso que eu gostei em você.
Kwon Chae-woo permaneceu quieto.
— Me apaixonei porque você não se importava em sermos sexualmente compatíveis. O que importava para você era apenas o amor.
Ela fez uma pausa dramática antes de lançar o golpe final.
— Você era como um monge.
— Um monge? Eu?
Seu tom era puro choque e incredulidade.
Talvez ele estivesse culpando a si mesmo… Ou o “Kwon Chae-woo” que ela havia acabado de inventar. Ele franziu as sobrancelhas.
— Então, nosso relacionamento era mais… platônico?
— Sim, e isso funcionava para nós. Lee-yeon deu a sua cartada final.
Ele ficou sem palavras. O olhar de Kwon Chae-woo se perdeu no teto por um longo tempo. Lee-yeon prendeu a respiração. Depois de tanto silêncio, começou a se perguntar se ele havia adormecido.
Já pensava em se levantar e sair quando ele murmurou:
— Então, você me cuidou todo esse tempo… mesmo sem termos compatibilidade na cama.
Ela não respondeu.
As pessoas cuidavam umas das outras só para transar?
Que tipo de pensamento distorcido era esse?
— Você realmente me ama muito, So Lee-yeon.
Chae-woo deu um suspiro Ela engoliu seco, lamentando o fato de ter criado outro mal-entendido. Outro problema, mas decidiu que não o corrigiria. Quanto mais ele acreditasse nisso, mais ela estaria segura. Esse era o único jeito de mantê-lo afastado.
— Agora vá dormir — disse, encerrando a conversa. Quanto mais ela falasse com ele, mais risco ela estaria correndo de deixar escapar algo a ponto de fazê-lo descobrir que estava mentindo.
— Certo. Boa noite, Lee-yeon.
Ele fechou os olhos e virou-se de costas, como se não quisesse mais ouvir sobre o próprio passado.
Lee-yeon fechou os olhos e rezou ao deus das árvores.
Por favor, faça esse homem cair em um sono profundo! Um coma seria perfeito. Espero que ele não acorde por semanas. O médico disse que ele sofre de algum tipo de síndrome…Por favor, por favor, faça ele dormir!
Ela orava desesperadamente.
Mas justo quando pensou que ele havia finalmente adormecido, ele sussurrou:
— Mas por quê?
— Hã?
— O que eu fazia de errado?
A voz dele era baixa, como se estivesse falando consigo mesmo.
— Era o próprio ato ou as preliminares que te deixavam insatisfeita?
Lee-yeon congelou.
— Ou… será que eu era virgem e não tinha experiência?
Ela ficou sem palavras.
— Eu… eu não sei dizer ao certo.
Ela se amaldiçoou mentalmente antes de soltar a maior mentira da noite:
— Acho que você não gostava muito de fazer isso… e também terminava muito rápido…
Silêncio fúnebre. O peso da atmosfera ao redor deles mudou. Até mesmo a respiração de Kwon Chae-woo pareceu ficar mais lenta. Depois de um longo tempo, ele suspirou baixinho.
Finalmente, sua respiração ficou estável. Lee-yeon tinha certeza de que ele havia adormecido, tentou soltar sua mão da dele, mas sem sucesso. Eventualmente, a exaustão a venceu. O dia inteiro foi cansativo demais e sem perceber, ela também caiu no sono. Naquela noite, ela ainda queria perguntar a ele uma única coisa:
Por que você matou aquela galinha daquele jeito cruel?
Na manhã seguinte, Lee-yeon acordou se sentindo estranhamente bem-restaurada…
E gritou.
Kwon Chae-woo estava olhando para ela.
Seu rosto estava apoiado na mão enquanto a observava.
— Bom dia — disse ele, surpreso com o grito.
O coração dela quase saltou pela boca.
O quê?!
O médico havia dito que ele sofria da Síndrome da Bela Adormecida!
Então, por que diabos ele está acordado?!
Ela esperava que ele dormisse por dias seguidos…
Mas ali estava ele, desperto antes dela e dizendo “bom dia” como se nada tivesse acontecido.
Os olhos cor de linho de Kwon Chae-woo pareciam avermelhados sob a luz suave da manhã.